Hoje, um estimado ex-professor meu escreveu o seguinte a propósito de considerações que teci sobre “educação e felicidade” num forum de ex-alunos da Universidade do Minho.
Ora bem, isto está interessante. Trata-se de discutir Filosofia da Educação. O Medicis é muito elencativo (o que é bom), mas o Medicis não serve de exemplo (com toda a minha amizade). Porquê?
Porque ele é um privilegiado !! Tenho uma inveja “infernal” dele. Sabem porquê?
Porque ele é, simultaneamente, tudo o que todos nós gostaríamos de ser ou de ter (não é a mesma coisa ser ou ter, claro!).
Ele, antes de mais é muito inteligente. Ele, por razões que desconheço e nem me interessam, sempre teve “enorme graus de escolha” e de “liberdade”. Ele, por várias razões, sempre conseguiu fazer várias “coisas” (actividades) e todas bem.
Ora, depois de limpa a baba e medido o perímetro do peito depois desta injecção de orgulho e estima, depressa percebi o quão fundamentalmente errada era esta percepção, e que (pior) podia mesmo ser generalizada e tomada como verdadeira por parte dos restantes participantes. Vai daí decidi responder e esclarecer alguns pontos que me parecem importantes. Devo dizer que este professor foi um dos meus favoritos e cheguei mesmo a trabalhar para ele como seu assistente na UM.
Aqui vai a minha resposta, tal como escrita no dito site. Que os não priviligiados percebam que TODOS somos privilegiados. Tanto quanto queiramos ser.
(post abaixo)
——
Essa do João ser um priveligiado quase me atirava abaixo da cadeira
Eu não sou nem mais nem menos privilegiado do que os outros, nem mais nem menos inteligente, e nem mais nem menos feliz nas minhas escolhas. Por exemplo, não tenho problemas em admitir que os últimos 3 anos da minha vida foram passados debaixo de enormes dificuldades financeiras como resultado directo de escolhas que fiz. Mas a realidade é que as fiz consciente desses riscos e no precurso aprendi imenso e me diverti também muito na procura dos meus sonhos (mas longe de ter sido um privilegiado nesse tempo todo).

Todos somos priveligiados
O que me parece (e isto é algo para que trabalho diariamente) é que quando a motivação é grande, os sacrifícios parecem pequenos. E acredito na ideia de que a vida se faz de experiências e não tenho (nem nunca tive) medo de as abraçar.
Com isto quero dizer que o que fui fazendo (e acreditem que não estou de acordo com a ideia de que faço tudo bem. longe disso) o devo a alguma forma de interesse por essas actividades – o que realmente acaba por dispersar-me e a tornar-me num generalista crónico – sabe um bocadinho de cada coisa, e nada de coisa nenhuma
Por razões como as suas, também a minha música está um pouco em segundo plano. E é curioso, que tendo sempre querido ser professor universitário/investigador a vida me levou sempre para longe desses meios (salvo 6 meses como assistente seu na UM, excelentes diga-se, mas que não tive oportunidade de perseguir por razões pessoais).
Agora, o que talvez seja verdade é que todas estas experiências me fazem aprender, tirar conclusões, ver coisas diferentes, desfazer preconceitos, e tentar o mais possível transmitir essas experiências aos outros.
Não numa atitude paternalista ou demagógica, mas mais no sentido de incentivar nos outros o raciocínio crítico para que procurem eles mesmos o seu caminho e se libertem de quaisquer correntes que os amarrem.
Gosto do debate de ideias, respeito as opiniões de cada um, e faço o melhor possível por viver de forma autêntica para comigo mesmo. Não tenho um mercedes nem um BMW (ainda
) e muito menos uma casa de luxo para entreter os meus amigos do jet set (apesar de ter alguns, por razões que não dependem de mim).
Tenho talvez o privilégio de viver uma vida simples, (demasiado?) em torno de ideiais que persigo, e acho que todos os elementos deste grupo, sem excepção, são únicos e incomparáveis. Mas nem todos tomaram ainda consciência disso (nem me cabe a mim fazê-lo)
Um abraço
João “O Privilegiado”


Inspirador!
Abraço
Afonso
mucas grasias.