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end of the road

Este capítulo chegou ao fim. Ver post anterior para exlicações e balanço. Foi um prazer.

Agora sigam-nos aqui. Love, J.

kt2 caffe

Pois este blog está prestes a encerrar… tal como esta etapa na nossa vida. Depois de amanhã dia 8 vamos regressar ao “nosso” país, sim porque esse é também o nosso país tal como este.  Para trás ficam muitas alegrias, tristezas, amigos velhos e novos, experiências que nos fizeram crescer mais e melhor.

Como o objectivo deste blog era manter os nossos amigos e conhecidos informados sobre esta transição, agora não faz sentido continuar aqui… por isso a partir de agora estaremos a relatar tudo o que nos vai acontecendo em terras de Sua Magestade aqui.

Muito Obrigada a todos os que por aqui passaram que de uma maneira ou de outra foram deixando o seu apoio e o seu carinho… So long and thanks for all the fish…

malas

O Privilegiado

Hoje, um estimado ex-professor meu escreveu o seguinte a propósito de considerações que teci sobre “educação e felicidade” num forum de ex-alunos da Universidade do Minho.

Ora bem, isto está interessante. Trata-se de discutir Filosofia da Educação. O Medicis é muito elencativo (o que é bom), mas o Medicis não serve de exemplo (com toda a minha amizade). Porquê?

Porque ele é um privilegiado !! Tenho uma inveja “infernal” dele. Sabem porquê?

Porque ele é, simultaneamente, tudo o que todos nós gostaríamos de ser ou de ter (não é a mesma coisa ser ou ter, claro!).

Ele, antes de mais é muito inteligente. Ele, por razões que desconheço e nem me interessam, sempre teve “enorme graus de escolha” e de “liberdade”. Ele, por várias razões, sempre conseguiu fazer várias “coisas” (actividades) e todas bem.

Ora, depois de limpa a baba e medido o perímetro do peito depois desta injecção de orgulho e estima, depressa percebi o quão fundamentalmente errada era esta percepção, e que (pior) podia mesmo ser generalizada e tomada como verdadeira por parte dos restantes participantes. Vai daí decidi responder e esclarecer alguns pontos que me parecem importantes. Devo dizer que este professor foi um dos meus favoritos e cheguei mesmo a trabalhar para ele como seu assistente na UM.

Aqui vai a minha resposta, tal como escrita no dito site. Que os não priviligiados percebam que TODOS somos privilegiados. Tanto quanto queiramos ser.

(post abaixo)

——

Essa do João ser um priveligiado quase me atirava abaixo da cadeira 😉

Eu não sou nem mais nem menos privilegiado do que os outros, nem mais nem menos inteligente, e nem mais nem menos feliz nas minhas escolhas. Por exemplo, não tenho problemas em admitir que os últimos 3 anos da minha vida foram passados debaixo de enormes dificuldades financeiras como resultado directo de escolhas que fiz. Mas a realidade é que as fiz consciente desses riscos e no precurso aprendi imenso e me diverti também muito na procura dos meus sonhos (mas longe de ter sido um privilegiado nesse tempo todo).

Todos somos priveligiados

Todos somos priveligiados

O que me parece (e isto é algo para que trabalho diariamente) é que quando a motivação é grande, os sacrifícios parecem pequenos. E acredito na ideia de que a vida se faz de experiências e não tenho (nem nunca tive) medo de as abraçar.

Com isto quero dizer que o que fui fazendo (e acreditem que não estou de acordo com a ideia de que faço tudo bem. longe disso) o devo a alguma forma de interesse por essas actividades – o que realmente acaba por dispersar-me e a tornar-me num generalista crónico – sabe um bocadinho de cada coisa, e nada de coisa nenhuma 😉

Por razões como as suas, também a minha música está um pouco em segundo plano. E é curioso, que tendo sempre querido ser professor universitário/investigador a vida me levou sempre para longe desses meios (salvo 6 meses como assistente seu na UM, excelentes diga-se, mas que não tive oportunidade de perseguir por razões pessoais).

Agora, o que talvez seja verdade é que todas estas experiências me fazem aprender, tirar conclusões, ver coisas diferentes, desfazer preconceitos, e tentar o mais possível transmitir essas experiências aos outros.

Não numa atitude paternalista ou demagógica, mas mais no sentido de incentivar nos outros o raciocínio crítico para que procurem eles mesmos o seu caminho e se libertem de quaisquer correntes que os amarrem.

Gosto do debate de ideias, respeito as opiniões de cada um, e faço o melhor possível por viver de forma autêntica para comigo mesmo. Não tenho um mercedes nem um BMW (ainda 😉 ) e muito menos uma casa de luxo para entreter os meus amigos do jet set (apesar de ter alguns, por razões que não dependem de mim).

Tenho talvez o privilégio de viver uma vida simples, (demasiado?) em torno de ideiais que persigo, e acho que todos os elementos deste grupo, sem excepção, são únicos e incomparáveis. Mas nem todos tomaram ainda consciência disso (nem me cabe a mim fazê-lo)

Um abraço

João “O Privilegiado” 🙂

A caminho

Ora, 9 meses menos quatro dias depois de anunciada publicamente a decisão de virmos para Londres, aqui me encontro em terras de sua majestade a contar os dias para que o resto da família se junte a mim. Não esperei que demorasse tanto tempo, mas dita o Universo que as coisas demorem o tempo que for necessário. E desta vez não foi diferente, incluindo no que toca à rapidez com que encontei casa. Não é o melhor palácio do mundo, mas também não era disso que estava à procura, preferindo antes algo bem localizado, perto do rio, em Kingston e ao lado de boas escolas. Aqui está o jardim e o rio, 100 metros “down the road”.

Canbury Gardens, Kingston upon Thames

Canbury Gardens, Kingston upon Thames

Sinto-me um pouco como o Uncle Travelling Matt a escrever para os demais Fraggles que ficaram nas rochas, mas a realidade é que o apoio que nos foram emprestando os nosso amigos e leitores nos obriga a pelo menos escrever um postal de vez em quando.

Às vezes dou por mim a avaliar as minhas decisões passadas (com tudo de errado que isso tem), e cheguei recentemente à conclusão que me custaram (as mais recentes) 250 mil Euros (em 3 anos) e muito stress para mim e para a família (fome passada incluída). E é claro que tirei daí lições, designadamente:

1. A minha vontade de viver a minha vida como eu acho que devo vivê-la não se esbateu, pelo contrário. A minha procura continua, portanto, apesar das pisaduras e marcas de guerra.

2. Os meus filhos têm de perceber que para serem felizes têm obrigatoriamente de procurar a felicidade. Essa não lhes vai ser entregue em formato de cheque ou recibo de vencimento. Devem isso a eles mesmos da mesma maneira que eu o devo a mim próprio.

3. Hope for the best, plan for the worst (esta é nova, mas importante). Sermos optimistas acerca das nossas competências, ideias, e actividades não significa sucesso comercial garantido. E quando este é importante (para comer, por exemplo), o melhor é mesmo manter o optimismo mas planear para a pior das circunstâncias.

4. Sou mesmo feliz e eu próprio junto de artistas e músicos e é nessa direcção que quero continuar a caminhar. É curioso como, apesar da minha auto-crítica, pareço ser respeitado como músico instrumentista e compositor. Dá-me força para aprender mais e  ajuda a largar fardos que eu próprio fui criando ao longo dos anos.

5. Quando tentar da próxima vez, se falhar, que falhe melhor. Mas estou convencido que 0s próximos 12 meses vão fazer-me chegar onde quero (primeira etapa).

Bom, entretanto estou a bolir como solutions architect numa empresa porreira, o que vai trazendo desafios intelectuais interessantes e um pouco de oxigénio para a família viver tranquila.E vou trabalhando em free lancing no meu projecto no qual continuo a acreditar.

I shall keep you posted.

Yours trully,

Uncle Travelling Matt (Joe)

Time travelling

Regressado de Londres anteontem, e com um enorme sorriso pelos resultados que consegui, hoje foi dia de curtir com a família extendida. De Lisboa os pais, de Fátima uns amigos seus muito chegados, de Vigo os Castros, e daqui do Porto nós os 5. Foi um bom almoço no Abadia, seguido de um passeio pela animada zona de Miguel Bombarda. E foi no meio desse meio que encontrei dois importantes personagens do meu passado.

Linguísitica

Pssst! Viro a cabeça mas não me apercebo de onde vem o som. Pssst! Aí não restavam dúvidas. Da altivez do seu metro e sessenta, 70 anos, ar confiante, quase austero mas igualmente cativante, solta uma pergunta em formato de ordem: “Quem sou eu?”

O que os meus olhos tinham identificado os meus ouvidos tinham ali oportunidade para confirmar. A resposta saiu-me numa fracção de segundo: Professora Carmen. Era a minha antiga professora de Português (do 6º ao 9º ano), de quem sempre guardei as melhores recordações. Com ela não se brincava, isso é que não! Mas tinha-se ensino de qualidade e uma sensação de que comunicar bem era algo de importante para o nosso futuro, e de que a confiança cria carisma. Muito de quem sou hoje o devo a ela e guardo as melhores recordações.

E a Lara também a conheceu, com o sorriso de espanto de estar a conversar com uma lenda viva, a professora “de antigamente” que tinha obrigado o puto João a escrever 500 vezes a palavra Português como castigo por dois erros crassos num (sic) “Teste de Portuges”. Ouch. Ainda me lembro 🙂

Iniciação musical

E ainda eu estava espantado e felissíssimo com este encontro inesperado quando dou de caras com alguem um pouco mais novo (50 e picos) no alto do seu metro e noventa e tal. Era o Rui, meu primeiro professor de música na Teclado há 30 anos. O homem que me introduziu ao instrumental Orff, que me ensinou a ler música, que me ensaiou em peças de pequena orquestra que adorava. Era também co-piloto de Rally na altura. Hoje, fiquei a saber, está na Escola Superior de Educação como docente na área da música e trocou os carros pelas motos. Outro prof marcante.

E com isto um dia fixe tornou-se num dia fabuloso.

J

Londres vs. Porto

London

London

Estou aqui há 4 dias e desde que cheguei que o sentimento de ter chegado a casa não me larga. E isto porque realmente, Home is where the heart is.

Sem desrespeito pelos grandes amigos que tenho na invicta (e que invevitavelmente passarei a ver menos vezes por força de 2000 Km) eu sinto uma sintonia de espírito com a população de Londres que não sinto com a do Porto (e menos ainda com a do resto de Portugal). Aqui vai:

1. Os saberes e experiências dos outros são fundamentais para o sucesso de cada um, e não um entrave ou uma ameaça (ao contrário do típico boss português)

2. As pessoas apreciam cultura e sabem reconhecer um bom produto cultural. Por isso daqui saem os Pulp e daí o Quim Barreiros, os Catatonia vs Tony Carreira, Queen vs Marco Paulo, etc.

3. As pessoas, fruto de uma melhor qualidade de vida, têm MUITO melhor aspecto. Gente com um ar activo, aprumado (ainda que descontraído), limpo, saudável, alegre. Isso é inspirador e dá lugar ao sonho que alimenta em feedback todo esse estado de espírito. Bem diferente do desdentado mal cheiroso.

4. TODAS as experiências são bem vindas e consideradas importantes. As pessoas sabem que todos nós somos capazes de aprender e de superar desafios. De facto, isso é em síntese o que se leva da vida. Aqui confia-se nas pessoas e naquilo de que são capazes

5. Limpeza – Podemos andar na rua livremente sem a preocupação de a cada 50 cm pisarmos um poio de merda deixado por um qualquer amigo de 4 patas. Não porque não haja cães, mas porque o pessoal é bem educado quanto baste para apanhar o presente dos fieis amigos e o colocar em lugar apropriado

6. Flores. Muitas flores. Como é lindo andar em ruas cheias de jardins com flores. Brancas, Roxas Vermelhas, Azuis, etc. Nada da selva de cimento em que se tornou a invicta.

7. O mundo num só sítio. E que tal num jantar de 5 pessoas haver 5 nacionalidades? Dos quatro cantos do mundo, com valores diferentes, ideias diferentes, maneiras diferentes de estar na vida e no entanto partilharem valores fundamentais de respeito pelo próximo e se darem lindamente? Que diferença para a mono cultura da invicta em que todos vêm do mesmo sítio, gostam das mesmas coisas, vestem a mesma roupa, e excluêm quem não cai nesses padrões.

8. Liberdade de orientação sexual. E se ser homosexual (ou não) for algo de absolutamente aceite? E se isso não afectar o sucesso de cada um, a forma como é respeteitado pela sociedade, o seu direito de viver livre e autenticamente?

9. Espiritualidade – O nível de consciência social e individual aqui é  mais elevado do que o que consigo observar na sociedade portuguesa (sorry). Terá de ser porque o pessoal aqui cresce mais com a variedade de experiências que vive e precisa de encontrar sentido num ponto mais elevado da consciência (porque em níveis mais baixos há demasiadas diferenças para integrar).

10. Economia – da 3 região mais pobre da europa para a mais rica há dois mundos de diferença (ou serão dois universos?). E os projectos que aparecemm? Enough said.

J

Acabar em grande

Ando a 200 e com pouco tempo e paciência para escrever. Há muita coisa a acontecer, a maior parte dela boa. E ainda bem, porque a coisa andou  dificil há uns meses e por uns meses.

Mas quem se espalha e se levanta é quem tem a força para chegar a algum lado. E admito que por vezes essa força parece ser dificil de encontrar. É preciso fazer das tripas coração, como é costume dizer-se. Mas como só temos 16 metros de tripa (ou lá o que é) ao fim de algum tempo pode começar a faltar a matéria prima e acabamos mesmo a “cagarnos por la pata” como dizem nuestros hermanos!

Mais fácil é ver o que é recuperar de uma dificuldade bem maior, e colocar os nossos problemas na perspectiva certa. Com este vídeo ganhei pilhas para mais 3 meses. Tudo sem gastar um centímetro de tripa!